Há já alguns dias que isto vem a acontecer e já há alguns meses que se vinha a prever.
Em Madrid, a escassos metros do Congresso dos Deputados, existe um outro Congresso em co-existência. Vários cidadãos decidiram criar um novo Parlamento no meio da rua. Em vez de filas de cadeiras repletas de deputados existem metros quadrados de pavimento ocupados por protestantes liderados por um "Presidente" que serve de moderador.
Este moderador serve de incentivo e de ouvinte de uma série de propostas. Vai anotando cada uma delas num bloco e, antes de passar à próxima, decide fazer um resumo da mesma. Existem 24 pontos abertos a propostas que, com o simples levantar de um braço, podem ser ouvidas. Existem várias comissões espalhadas pela Puerta del Sol, especializadas em áreas tão distintas como a Comunicação, as Infra-Estruturas ou a área Alimentar. E cada uma destas comissões estão localizadas em tendas de campismo. É a nova Ágora da Puerta del Sol. Os cidadãos falam dos temas em dia, com conversas umas mais amenas que outras, mas sempre com a participação civil no centro do tema.
Consideram injustas as regras aplicadas durante este Governo PSOE como a "Ley Sinde" (Ley de la Economia Sostenible - que, em resumo, é a lei que dá direito ao Ministério da Cultura da actual Ministra Ángeles Gonzales-Sinde, de encerrar páginas web que exponham os direitos de propriedade intelectual através de denúncias de particulares, de cantores, de uma discográfica, de uma televisão ou dos seus representantes legais, e sem qualquer intervenção jurídica, decidir no prazo de 3 dias, através de uma Comissão da Propriedade Intelectual, encerrar a página de internet visada).
Consideram injustas as regras aplicadas durante este Governo PSOE como a "Ley de Extrajeria", que aborda questões debativéis e polémicas como a impossibilidade de expulsar de Espanha qualquer emigrante que tenha algum filho inscrito numa escola pública, mesmo que este esteja em situação ilegal.
E todas esta "injustiças" são proclamadas através da praça por um megafone que debita ideias e alimenta polémicas.
"Temos que acabar com o apoio estatal à Igreja", diz uma mulher de um lado. "Devemos ajudar as famílias desalojadas e não os bancos", diz um homem do outro. E durante uma hora e meia, este moderador vai juntando estas ideias de modo a perceber o consenso das pessoas em relação a cada tema.
Em Madrid, a escassos metros do Congresso dos Deputados, existe um outro Congresso em co-existência. Vários cidadãos decidiram criar um novo Parlamento no meio da rua. Em vez de filas de cadeiras repletas de deputados existem metros quadrados de pavimento ocupados por protestantes liderados por um "Presidente" que serve de moderador.
Este moderador serve de incentivo e de ouvinte de uma série de propostas. Vai anotando cada uma delas num bloco e, antes de passar à próxima, decide fazer um resumo da mesma. Existem 24 pontos abertos a propostas que, com o simples levantar de um braço, podem ser ouvidas. Existem várias comissões espalhadas pela Puerta del Sol, especializadas em áreas tão distintas como a Comunicação, as Infra-Estruturas ou a área Alimentar. E cada uma destas comissões estão localizadas em tendas de campismo. É a nova Ágora da Puerta del Sol. Os cidadãos falam dos temas em dia, com conversas umas mais amenas que outras, mas sempre com a participação civil no centro do tema.
Consideram injustas as regras aplicadas durante este Governo PSOE como a "Ley Sinde" (Ley de la Economia Sostenible - que, em resumo, é a lei que dá direito ao Ministério da Cultura da actual Ministra Ángeles Gonzales-Sinde, de encerrar páginas web que exponham os direitos de propriedade intelectual através de denúncias de particulares, de cantores, de uma discográfica, de uma televisão ou dos seus representantes legais, e sem qualquer intervenção jurídica, decidir no prazo de 3 dias, através de uma Comissão da Propriedade Intelectual, encerrar a página de internet visada).
Consideram injustas as regras aplicadas durante este Governo PSOE como a "Ley de Extrajeria", que aborda questões debativéis e polémicas como a impossibilidade de expulsar de Espanha qualquer emigrante que tenha algum filho inscrito numa escola pública, mesmo que este esteja em situação ilegal.
E todas esta "injustiças" são proclamadas através da praça por um megafone que debita ideias e alimenta polémicas.
"Temos que acabar com o apoio estatal à Igreja", diz uma mulher de um lado. "Devemos ajudar as famílias desalojadas e não os bancos", diz um homem do outro. E durante uma hora e meia, este moderador vai juntando estas ideias de modo a perceber o consenso das pessoas em relação a cada tema.
A manifestação deu-se no 15 de Maio e reuniu milhares de pessoas por Madrid. E a "nossa" manifestação da "Geração Rasca" serviu de mote. As pessoas indignadas com a situação económica, social e política em Espanha resolveram manifestar-se e decidiram criar este micromundo no seio da capital espanhola. Organizaram-se para garantir as necessidades básicas e, em seguida, começaram a articular um discurso possível de ser explicado à Sociedade Civil onde se expoem uma queixa global e generalizada contra as carências do sistema democrático vigente em Espanha. Tratou-se de criar um fio conductor capaz de aglutinar o amplo e heterogéneo número de pessoas que fazem parte deste movimento espontâneo. Um movimento que, para além das pessoas presentes na praça, junta agora o espírito colectivo de desencanto global de uma parte substancial da população. O movimento enche-se de apoios e três vezes ao dia existem assembleias públicas de debate.
Sábado vai-se dar uma última manifestação de reflexão. Um dia antes das eleições para o Ayuntamiento de Madrid. Na Segunda-feira, provavelmente, Zapatero terá que receber este jovens para os ouvir e oscultar a verdeira queixa da população manifestante.
Nas assembleias de ontem deram o seu apoio a uma série de propostas que, sumadas às sugestões que as pessoas iam deixando em várias caixas distribuídas pela praça, formarão a base do que se irá submeter a votação , criando um manifesto repleto de ideias e sugestões concretas. Aqui estão algumas:
- Abolir as leis injustas. Suprimir e substituir decretos como a Ley Sinde, o Tratado de Bolonha, a lei da emigração, a lei dos partidos ou a lei eleitoral. Todas as leis, denominadas, importantes, devem ser precedidas de um referendo democrático e popular.
Sábado vai-se dar uma última manifestação de reflexão. Um dia antes das eleições para o Ayuntamiento de Madrid. Na Segunda-feira, provavelmente, Zapatero terá que receber este jovens para os ouvir e oscultar a verdeira queixa da população manifestante.
Nas assembleias de ontem deram o seu apoio a uma série de propostas que, sumadas às sugestões que as pessoas iam deixando em várias caixas distribuídas pela praça, formarão a base do que se irá submeter a votação , criando um manifesto repleto de ideias e sugestões concretas. Aqui estão algumas:
- Abolir as leis injustas. Suprimir e substituir decretos como a Ley Sinde, o Tratado de Bolonha, a lei da emigração, a lei dos partidos ou a lei eleitoral. Todas as leis, denominadas, importantes, devem ser precedidas de um referendo democrático e popular.
- Fazer um referendo para votar e escolher entre a Monarquia e a República, enquanto alguns defendem o total desprendimento constitucional da Casa Real com a República vigente.
- Reformas fiscais que favoreçam as classes sociais mais baixas. Que pague quem mais tem e que o IVA seja um imposto progressivo. Para além destas medidas, pedem ainda que se nacionalize os Bancos que foram resgatados.
- Favorecer o transporte público criando uma rede de corredores para bicicletas e criando descontos nos passes para desempregados.
- Reformas nas condições laborais da classe política. Defendem a supressão dos ordenados vitalícios, a implementação do número de políticas e leis a concluir em cada mandado, listas eleitorais "limpas" e livres de deputados sem qualquer caso de corrupção política
- Desvinculação da participação do Estado na Igreja. A religião deve ser circunscrita a algo intímo bem como os juízes que se devem manter afastados da vida política.
- Democracia participativa e directa. Apostar por um funcionamento da assembleia com base nos seus cidadãos (bairros e freguesias) com apoio e divulgação na Internet e nas novas tecnologias.
- Melhorar e regular as condições laborais. Acabar com a precariedade salarial e o abuso do trabalho realizado por alunos com bolsas de estudo, estabelecendo um salário mínimo de 1.200 euros, com a garantia do Estado na procura de emprego e igualdade salarial.
- Encerrar imediatamente as centrais nucleares espalhadas pelo país e apoiar a economia das energias sustentáveis.
- Recuperação das empresas públicas que sofreram privatizações.
- Redução no gasto com os militares, encerrando fábricas de armamento e recusando qualquer intervenção militar no estrangeiro.
- Recuperar a "Memória Histórica" condenando qualquer uso do Franquismo.
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