Hoje acordo e dou com a notícia da morte de Gil Scott-Heron. Pai e padrinho do soul, e do jazz "político", que tanto me ajudou a perceber um país como os Estados-Unidos e as suas lutas cívicas, as suas convulsões económicas e as suas mudanças sociais aceleradas. Tudo isto, Scott-Heron foi mestre em capturar e satirizar num país cheio de contradições mas cheio de esperança e força.
Foi um dos músicos mais inspiradores. Um dos letristas mais dotados e simplistas na sua forma directa de aliar a música a letras de cariz politico-social. Um autêntico Bob Dylan negro, mas mais directo.
Tive o azar de o "conhecer" apenas há alguns anos para cá. Fiz dele a minha banda sonora, pelo menos uma vez por semana. E as ideias, as frases e os conceitos ficaram comigo, entre batalhas verbais e discursos corrosivos sobre esta sociedade que ajudamos, todos os dias, a crescer. Triste dia este, que morre um ícone que só amanhã será, devidamente, reconhecido.
Mas hoje, Sábado, acordo também, com a sensação de ter visto, ontem à noite, um dos filmes que irá, inevitavelmente, marcar a minha vida. Um filme que, sem sequer ainda existir, já vivia na minha mente há muitos anos. O filme é "The Tree of Life" e o realizador é o grande Terence Malick.
Filme que se vive como uma experiência tremendamente pessoal e intransmissível. Um filme que, por mais que se tente, não se consegue explicar, resumir ou definir. Nenhum cineasta filma como ele e o filme transforma-se numa narrativa experimental ao nível das nossas sensações em relação a uma série de temas recorrentes da filosofia moderna: porque é que estamos aqui? É apenas uma das questões levantadas e que, algumas pessoas, poderão ver a resposta em "The Tree of Life".
E por último, a notícia que hoje marca o dia. A uma semana de irmos a eleições, PSD e PS voltam a cruzar caminhos e encontram-se, exactamente, no mesmo sítio do que quando iniciaram esta caminhada eleitoral: num empate técnico sem razão e sem sentido, num país que recusa a mudança mas que ignora o passado. Triste sina e triste fado que se arrasta por esta gente que aqui anda...
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