segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Perigo que vem de fora está cá dentro.

O risco era grande. Já todos o sabíamos e andámos a adiar. Numa típica atitude portuguesa íamos refreando as nossas preocupações com um típico ditado português: "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". Mas agora é fácil encontrar pessoas à nossa volta que dizem que não havia alternativa, que é uma humilhação nacional, que é uma inquietação para o futuro deste país, etc...

José Sócrates quis adiar a entrada da ajuda externa até não poder mais e apenas quando os Bancos se renderam, decidiu abrir os olhos e admitir que precisava de negociar a sua rendição, porque é disso que estamos a falar. Já passou o tempo em que estávamos em posição de dialogar, negociar e ser intransigentes com as nossas necessidades. Já passou o tempo porque este Governo não quis admitir a derrota. Uma derrota que nunca seria encarada como tal pois haveria tempo para tudo. Hoje já não. Seremos submetidos a todo o tipo de obrigações e de nada serve agora pedir ao Presidente da República e a todos os partidos que intervenham quando esses não vão conseguir mais do que adiar o inevitável, medidas extremas de austeridade.


Serão cerca de 79 mil milhões de euros de ajuda externa, que só será "emprestado" mediante cortes brutais no Orçamento de Estado, Privatizações de certas Empresas e Sectores do Estado, e profundas Reformas no Mercado Laboral. Mas isso, só daqui a um mês teremos novidades. Até lá iremos viver num "limbo" de grande indefinição política e económica, sem saber bem o que esperar e sem saber se não agravamos ainda mais a situação através de crédito mal parado, através de pagamentos em atraso na Função Pública ou através de cortes antes de qualquer negociação com o exterior.


Acima de tudo, esta indefinição de Portugal até às Eleições terá que servir para um único aspecto que os portugueses começam agora a deixar transparecer e que os Políticos tanto temem: que é o verdadeiro responsável desta situação calamitosa em que nos encontramos? De que lado vai pender a culpa e de que lado vai pender a balança do poder?


Depois das inevitáveis eleições iremos ver muita gente estrangeira de fato e gravata com grandes malas e com grandes recibos e facturas pelos corredores das Empresas Públicas, dos Ministérios e de todas as Instituições que podem ter contribuído para este descalabro. E só depois ficaremos a saber o mais importante para os portugueses: quais serão as taxas de juro aplicadas? quanto tempo teremos para pagar o que devemos? que taxas ou impostos iremos pagar a mais? que medidas serão tomadas para que a economia retome o seu rumo e possa crescer num futuro próximo?


No entanto, existe um aspecto fulcral na comparação entre Portugal e países como a Grécia. Vamos esperar impávidos, mais uma característica típica dos portugueses. Não haverá pilhagem, não haverá manifestações, não haverá violência nas ruas. Seremos iguais a nós próprios e vamos respeitar desrespeitando quando pudermos, porque se há coisa em que somos bons é em encontrar "subterfúgios" onde não somos acorrentados nem espremidos por regras, normas ou leis impostas por outros. Somos tão bons nisso que é pena não haver uma profissão nessa área. Seríamos donos do mundo.


Como podemos nós negociar esta ajuda? Pois bem, a maior dificuldade é admitir que outros países ainda podem seguir a mesma via. Espanha e Itália num futuro próximo. E países como França e Alemanha podem iniciar certas propostas de retirada desses países da zona Euro, ou mesmo, retirarem-se eles próprios da moeda única. Seria catastrófico e seria o fim de uma era. O fim de uma ideia e o juízo final para todos os países que compõem a Europa. Existe, no entanto, um ponto de comparação: Inglaterra mantêm-se fora da União Europeia e sofre o que os outros estão a sofrer, e não poder ser apenas pela questão da proximidade. A negociação de Portugal tem que passar, obrigatoriamente, por entender que todas as economias são diferentes e que as necessidades de uns não são as necessidades de outros, pelo que, Portugal não tem que ter as mesmas medidas que sofreram a Irlanda ou a Grécia. Aqui existem pontos de ligação mas também existem aspectos únicos e singulares. Tem que existir a ideia de defender o Euro e para isso é preciso fazer ver aos que emprestam (França, Alemanha ou Holanda) que os que necessitam (Portugal, Irlanda e Grécia) são, ou poderão ser, tão importantes para a Economia Global como eles.


Vivemos, pois, na globalização em todas os aspectos: positivos e negativos. Não aceitar a derrota ou não aceitar as ajudas existentes é uma decisão que se paga mais tarde com grandes repercussões, como se está a ver. Pedir ajuda apenas quer dizer que se quer melhorar ou que está mal. Não compreendo, até hoje, a posição autoritária e egoísta deste Governo. Mais parece teimosia que eficácia política. E nisso, o ainda nosso Primeiro-Ministro, é rei e senhor.

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