domingo, 10 de abril de 2011

Existe um antes e um depois.

Será possível existirem críticas ao convite de Pedro Passos Coelho a Fernando Nobre? Será possível não perceber que a vontade de ter representado um indivíduo auto-denominado "independente", sem qualquer filiação partidária numa Assembleia da República cada vez mais a falar em uníssono, pode ter um significado especial?

Acredito que sim, embora tenha as minhas reservas. Acredito que se pode criticar na base da assunção de que um elemento que se candidata às últimas Eleições Presidenciais deste País, tendo por definição própria a total independência de qualquer partido cria, no mínimo, um certo "mal-estar" entre certos elementos dos 14% de votantes que acreditaram na palavra cívica deste senhor. Acredito que se possa entender esta aceitação por parte de Fernando Nobre, como um fechar de olhos à sua independência, embora não se deva.

Isto porque, não será a primeira vez, mas certamente será bom recordar que a nossa Assembleia da República tem muito pouco de nossa, enquanto elemento da sociedade civil. Existe o respeito pela Instituição mas pouco ou nada pelos seus representantes. Existe o respeito pelo seu trabalho e pelas suas imposições (ou Decreto-Lei) mas pouco pelo trabalho que efectua à Sociedade em geral. Pelo que, parece-me a mim, urge uma certa necessidade de reforçar certos elos de ligação e, até mesmo, criar novas interligações com as Gerações que hoje enfrentam certos e determinados problemas correntes com que nos deparamos nos meios de comunicação do costume. Pessoas essas que ontem não tinham porquê se manifestar mas que hoje, se vêem em mãos com uma necessidade de criar um certo "ruído" através das paredes e das salas desta Assembleia.

Não quero com isto, defender ou apoiar certos partidos ou certas tomadas de atitude que se canalizaram nos últimos dias. Com isto, parece-me apenas importante o gesto. E o gesto é meio caminho andado para um resultado. Pode ser ele positivo ou negativo, apenas o tempo o dirá. Mas no caso de Fernando Nobre, os seus 14%, podem não ser suficientes para trazer a cidadania de volta à Assembleia, pois dessa percentagem (ainda que expressiva) não acredito que nem metade seja "arrastada" para esta decisão firme, contundente e corajosa.

E talvez corajoso seja, neste momento, o adjectivo que melhor encaixa em Passos Coelho. Refiro-me apenas a ele, pelo fraco "respaldo" que o PSD continua a oferecer. Parece não acreditar. Parece não querer. E se o partido não quiser, não ilusão que se possa vender para levar de vencido um Homem, que do outro lado da barricada, se instalou e dali ninguém o tirará, jamais.

Fernando Nobre, acima de tudo, para mim, não representa o nome mas sim o ideal. Não representa a escolha certa, mas representa o caminho pelo qual este país terá agora que escolher. Entre uma direita aberta a dialogar com a Sociedade, ou uma Esquerda que não olha a meios para atingir os seus fins, mesmo que esses possam ser meritórios (o que não é o caso).

E por isso, finalizo deixando no ar uma questão: será este o caminho que levará o PSD ao sucesso, ou estamos perante a eminência de um voto perdido? Daqui a menos de 2 meses se saberá o peso deste convite. Mas para já, uma coisa ninguém lhe tira, a coragem de criar clivagens onde não existiam. Será que eram necessárias? Do meu ponto de vista, eram obrigatórias.

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