segunda-feira, 11 de abril de 2011

O nosso pequeno ponto azul.

"...É a nossa casa. Somos nós. Neste ponto, todos aqueles que amamos, todos aqueles que conhecemos, de quem ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas.

Toda esta mistura de alegrias e sofrimentos, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e cobardes, criadores e destruidores de civilizações, seus reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “super-estrelas”, “líderes supremos” de uma qualquer seita, santos e pecadores da história da nossa espécie, ali - num pequeno grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fracção deste ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de algum outro canto e nos seus frequentes conflitos, na sua ânsia de recíproca destruição e nos seus ódios ardentes.

As nossas atitudes, a nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo, tudo é posto em dúvida por este ponto de luz pálida. O nosso planeta é um ponto solitário na grande escuridão cósmica que a circunda. No meio da nossa obscuridade, no meio de toda esta imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós próprios.

A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, pelo menos num futuro próximo, para onde a nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Estabelecer-se, ainda não. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso lugar.

Tem-se dito que a Astronomia é uma experiência que forma o carácter e ensina a humildade.

Talvez não exista melhor prova das loucuras da vaidade humana do que a distante imagem do nosso minúsculo mundo. Para mim, sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos com mais bondade uns com os outros e a capacidade de preservar e amar este pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.”

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