quinta-feira, 21 de abril de 2011

Empate Técnico

Hoje acordei com uma sensação estranha. Uma sensação de "dejá vu". E fez-se luz quando resolvi acender o rádio. Ouvi a notícia que dava conta da primeira sondagem realizada pela Marktest, que resultava num empate técnico entre PS e PSD.


Para além desta terrível notícia, é de notar a queda livre que anda a sofrer Pedro Passos Coelho nos últimos tempos. Decisões erradas que já lhe custaram, pelo menos, 12 pontos percentuais nas sondagens. Tudo não passa de sondagens, números insignificantes mas que, tal como a questão dos ratings, servem para toldar a cabeça de tantos portugueses indecisos ou confusos pela situação que o país atravessa.


Isto, depois de ontem termos visto que 86% dos portugueses acham que a culpa da situação portuguesa é do Primeiro-Ministro em gestão, o Sr. José Sócrates.


Em que é que devemos confiar? Em que números nos podemos fiar? Será assim tão confusa a decisão de dia 05 de Junho? Será assim tão indecisa a população portuguesa votante? Dá-nos a entender que sim. Mas temos que ter, ainda, em conta, a percentagem elevada de indecisos: 36%.


A conclusão que tiro é que PSD não vai conseguir governar sozinho, com maioria absoluta. Vamos, uma vez mais, experimentar coligações e governos partidos ao meio. Decisões que ficam adiadas por falta de apoios e de aprovações. E tudo isto pode fazer travar o país numa situação política já de si tremida demais para um futuro que se avizinha incerto.


E aqui eu pergunto: não conseguem os portugueses olhar para a direita? Verão na direito o mesmo destino incerto que na esquerda? Pelos vistos sim. E a culpa disso tudo tem-na Passos Coelho, que a partir do momento em que sabia que iria a eleições, fez de tudo para errar e voltar a errar. Estudou e preparou-se com tempo para um cargo que até pode vir a ser seu, mas não da forma como ambicionava. Ninguém o apoia dentro do partido e isso é grave demais para ser ignorado. Essa mesma falta de apoio pode gerar uma derrota ou, então, uma vitória magra que levará a dificuldades que o PS pode aproveitar a cada oportunidade que lhe surgir pela frente.


E na maior ambição caí a maior nódoa. Passos Coelho deu tiros em ambos os pés e não pára de se mutilar. Não pára de errar e ninguém lhe diz para parar. E só tem um caminho, agora, que é o de levar avante as suas decisões e responsabilizar-se pelo que venha a acontecer. O mal está feito e lançado. Há que tomar as rédeas e deixar os outros remarem contra a maré poque a corrente, essa, é forte demais e pode obrigar o barco a voltar para trás.


A escolha de Fernando Nobre foi errada. Não o ideal mas o homem. A falta de apoios dentro do partido é preocupante. As mesmas pessoas que o elegeram, hoje viram-lhe as costas e deixam-no sozinho. E se isto acontece antes do Homem assumir qualquer poder ainda é mais preocupante. Pois, como se sabe, é comum ver um homem sozinho quando este está no poder e não quando quer chegar ao poder.


Ao mesmo tempo, o PS e em especial José Sócrates irão, certamente, ver as sondagens de hoje como uma bolha de ar fresco que os fará sobreviver algumas semanas mais. As constantes vitimizações já não funcionam e passaram ao ataque. Hoje soube-se da exclusão de Teixeira dos Santos das Listas do Partido. Fica de fora por opção do partido e isso só faz pensar que Sócrates parece estar a querer, à força, arranjar um bode expiatório, um culpado que saia pela porta pequena para outro ocupar o seu lugar quando Sócrates for, uma vez mais, re-eleito.


A situação complica-se e o meu voto de dia 5 divide-se. E na cabeça dos portugueses, como muitos já disseram, não pode estar uma sede de vingança a José Sócrates mas tem que estar, forçosamente, a ética e o bom senso de colocar a mão na consciência e pensar o que será melhor para o país e para nós próprios. O que será mais justo e correcto. O que será mais certo e o que levará este país a não cometer erros sucessivos como os dos últimos 20 anos. Quem é o responsável, ou responsáveis torna-se irrelevante para esta questão. Õlhar menos para o passado e tentar resolver os problemas presentes pensando num futuro para este país. Com ou sem ajuda. Com ou sem a Troika. Porque quem vai ter que levantar o país somos todos nós, através do nosso trabalho, do nosso dinheiro e da nossa vontade em participar e ajudar. Porque não nos podemos iludir, todos nós também temos a culpa do país e das suas instituições estarem no estado em que estão. Comprámos as ilusões que os outros criaram. Fomos tão enganados como o vizinho e tão crédulos que estava tudo bem que não nos importámos com os avisos e as chamadas de alerta constantes.

E por isso peço que votem com bom-senso, que é algo que falta a todos nós, de algum tempo para cá.

Sem comentários:

Enviar um comentário