E assim começa uma nova era. Assim começa o Português a acreditar que é possível fazer mais e melhor. Assim se vê como a Democracia, quando funciona, é de facto um acto útil, importante e sincero.
Ontem não houve desculpas nem tempo para elas. Se o PSD perdesse nunca mais ouviriamos falar de Pedro Passos Coelho. Desapareceria do mapa político nacional para nunca mais voltar, como outros (Fernando Nogueira, por exemplo). Mas, quis o destino, que assim não fosse e revelou-se um candidato pecador em muitos aspectos mas que todos os portugueses esperam ver como um Primeiro-Ministro capaz, honesto, sincero e trabalhador. Capaz de servir de exemplo e de saber motivar os milhões que por aí andam perdidos e sem rumo.
O castigo a José Sócrates foi justo. Encadeado pelas mesmas luzes que o ajudaram a "iluminar-se" ao longo destes 6 anos, suava sem parar, levava a mão à testa como alguém que estava aflito e que não tinha como não o mostrar. Sozinho, como sempre se pautou e destemido como sempre se mostrou. Enfrentou as câmaras e não teve a agilidade de outros tempos frente à troupe de jornalistas que lhe disparavam perguntas incómodas, sem que ninguém o interrompesse, sem que ninguém lhe indicasse a porta de saída. Aquilo que muitos portugueses lhe indicaram durante tanto tempo. Foram cerca de 40 minutos de desculpas e de culpabilização. Muitos ouvintes e poucos apoiantes. Todos prontos, como abutres, à espera da sua oportunidade. Ainda antes da entrada em cena de Sócrates, já Manuel Alegre dizia que se esperava este resultado. Já Isabel Alçada falava, enquanto outros calavam, e lançava dados para quem tivesse dúvida da incompetência no cargo desta senhora (eu fiz isto, eu fiz aquilo e...nada).
Pelas perguntas feitas a Sócrates deparamo-nos com o primeiro sinal de mudança. Acabou a "censura" à imprensa e ontem tudo foi permitido. Até perguntar pelos casos jurídicos pendentes que o aguardam para lá da porta de São Bento. Ao mesmo tempo todos podemos concluir que a saída da vida política de José Sócrates, saturado e com uma imagem demasiadamente desgastada, irá resultar numa colheita do sector privado daquilo que andou a semear durante anos no público. Irónico, inevitável e triste.
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