quinta-feira, 12 de maio de 2011

Este Homem anda aos Papéis!

Eduado Catroga levantou a questão principal do dia: Pintelhos ou Pentelhos?

Depois de uma semana atípica para este senhor, onde incluímos o engano no Fórum da TSF, na segunda-feira de manhã, onde defendia a reestruturação do IVA, passando alguns produtos para taxas superiores do IVA dando como exemplo “a cerveja que não deve estar na taxa reduzida”. O pior é que a Cerveja é um produto que já paga taxa máxima de 23%, o que obrigou o economista a esclarecer ao Económico que "foi um Lapsus Linguae”, pois “estava a pensar no vinho”, enquanto produto para subir de escalão.

Em seguida foi uma entrevista concedida ao Jornal de Negócios, na Terça-Feira, em que afirmava que “deve-se caminhar para apenas duas taxas” no IVA, lembrando numa entrevista posterior ao Público que foi António Guterres quem criou a taxa intermédia deste imposto e chegando mesmo a questionar: “a taxa intermédia serve para quê? Há aqui um grande potencial de aumento da receita”. A discussão em torno deste tema é politicamente delicada, pois discute-se como é que o PSD propõe compensar a redução da taxa social única já a partir de Janeiro de 2012.

Horas depois, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, garantiu que é ele quem toma as decisões políticas e que é “absolutamente falso” que os social-democratas queiram terminar com a taxa intermédia. A opinião de Catroga é apenas técnica, justificaram os assessores do partido, mas a máquina do PS não deixou escapar a diferença de opinião para lançar a suspeição de que o PSD poderá avançar com um substancial aumento de impostos no pós-eleições.

Já na quarta-feira concede uma entrevista o Público em que compara José Sócrates a Adolph Hitler, ao responder a uma pergunta sobre as sondagens. “O Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões. José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtal em que só ele tem razão”. A reacção do PS foi enérgica, com lamentos de dramatização sobre a forma de fazer política.

Mas ainda há mais...

Em entrevista ao Jornal Económico, Eduardo Catroga abre o livro das críticas à Caixa Geral de Depósitos, acusando o banco público de não ser transparente e de ter uma gestão dependente do Governo e pouco profissional. Em resposta, hoje publicada pelo mesmo jornal, o conselho de administração liderado por Faria de Oliveira expressou “choque profundo” por estas declarações. “Não as esperávamos de tão conceituada figura pública. Terão sido infelizes, com considerações muito injustas e injustificadas, afectando uma instituição de referência, que se rege por critérios de ética, isenção, rigor e competência”, reagiu o banco através de comunicado.

Ontem à noite, em entrevista à SIC Notícias, Eduardo Catroga volta a surpreender, ao criticar os políticos e os jornalistas porque “em vez de andarem a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal andam a discutir, passo a expressão, pentelhos”. A expressão está a dominar as conversas nas redes sociais esta manhã.

Apresentámos medidas das mais importantes que foram apresentadas neste país. Pois ninguém discute. O PS não tem programa, anda-se a agarrar, quando o próprio PS assinou a redução da taxa social única”, lamentou na estação televisiva o coordenador do programa eleitoral social-democrata, depois de um dia em que várias vozes socialistas criticaram a proposta do PSD, que afinal está também no memorando assinado pelo governo com a troika.

Na mesma entrevista, Catroga revela uma conversa que teve com Teixeira dos Santos antes das legislativas de 2009, afirmando que o ministro das Finanças tentou convencer José Sócrates a reduzir esta taxa em vez do IVA. "Esta foi uma primeira confissão de um verdadeiro economista. Uma segunda confissão foi que foi ele [Teixeira dos Santos] que sugeriu à OCDE aquilo que a OCDE sempre defendeu que é baixar a Taxa Social Única", disse Catroga na entrevista à SIC Notícias.

Enfim. O resultado final não é positivo e apenas a atitude é de louvar. Este à-vontade é incómodo para muita gente (incluíndo para mim...) e não há desculpa para este afrontar de ideias tão acertivas e conclusivas sem direito a ser interrogado ou questionado. Fica a sensação de "dejá-vu" e de não querer repetir erros do passado com este senhor. Fica a sensação que os melhores anos da sua carreira ficaram para trás e que há que enfrentar o futuro com outras pessoas. O passado do PSD está na imagem deste senhor. O futuro logo se verá.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Será que alguém vai ler?

Foi publicado, na semana passada, no Finantial Times, um artigo de opinião do cronista alemão, Wolfgang Munchau, um texto dedicado à forma como os responsáveis europeus têm lidado com a crise financeira que se alastra pela Europa.

No último parágrafo deste artigo, Munchau dedica-o ao Primeiro-Ministro cessante José Sócrates, criticando duramente a sua "exibição" em frente às câmaras na semana passada: "O seu anúncio, na semana passada, foi um alerta trágico-cómico da crise. Com o país à beira da extinção financeira, foi à televisão nacional orgulhar-se de ter garantido um acordo melhor do que a Grécia e a Irlanda. Além disso, garantiu que o entendimento não seria muito doloroso. Quando os detalhes foram conhecidos, poucos dias depois, percebeu-se que nada disso era verdade. O pacote contém cortes de custos severos, congela os salários da função pública e as pensões, aumenta os impostos e prevê uma recessão profunda nos próximos dois anos".


Gostaria de saber se esta opinião é generalizada noutros países da União Europeia? Gostaria de saber se existe esta visão patética da política portuguesa e dos seus representantes, lá fora? Porque se a resposta é sim, então a situação é mais grave e impactante que aquilo que qualquer um de nós pensa, pois a nossa visão no exterior conta, e muito, para o crescimento ou a total estagnação da economia portuguesa, quer ela tenha ajuda exterior ou não, o que neste caso até é indiferente.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

No buraco que cavaram, não se metem eles.

Quando é que aprenderemos a não ter que duvidar de alguma Instituição Estatal? Quando é que vamos ter plena confiança nas pessoas que gerem certos e determinados Institutos, Empresas ou Fundações Públicas e na forma de serem financiados?

A Parque Escolar é uma Empresa que, por Decreto-Lei, existe desde 21 de Fevereiro de 2007, sendo dotada de autonomia administrativa e financeira, com património próprio, estando apenas sujeita à tutela do Estado. Foi criada com o objectivo, muito claro, de dinamizar e gerir o planeamento da modernização das escolas públicas em Portugal. Esse mesmo programa está assente em três pontos fulcrais para a sua missão poder ser encarada como necessária: requalificar e modernizar os edifícios que albergam as escolas secundárias através de programas onde são criadas condições para o desenvolvimento didáctico, tecnológico, informativo e comunicativo; criar condições nas infra-estruturas recuperadas de modo a envolver as comunidades com o Ensino Secundário; e criar um modelo de gestão dos edifícios recuperados através da correcta gestão e optimização dos recursos instalados bem como da sua manutenção e conservação após a intervenção efectuada às infra-estruturas existentes.

Ora, é neste último ponto que hoje me quero focar, em particular.

A Parque Escolar é, actualmente, a 5º Empresa Pública mais endividada do Estado Português, com cerca de 2 mil milhoes de dívida, independentemente de ser, também, uma das mais beneficiadas em termos de ajudas financeiras, através de investimentos e ajudas comunitárias bem como do pagamento de rendas através do usofruto de cada uma das suas infra-estruturas. Ainda assim, consegue criar à sua volta uma enorme interrogação em relação ao seu futuro, sendo pois, uma total incerteza.

Mas é em relação às Instituições que ocupam estes edifício recuperados que agora se incide o foco da polémica. De uma forma simples e directa, pode-se explicar da seguinte forma: a recuperação destes edifícios veio trazer um aumento exponencial nos consumos energéticos destas instituições, habituadas durante décadas a determinados gastos, mais ou menos, fixos. Estes aumentos, que só agoram se vão começar a ter em conta são, na maior parte dos casos, 3 a 10 vezes maiores do que o consumo que tinham anteriormente, pelo que se avizinham dificuldades para cumprirem o pagamento destes mesmos consumos elevados e, ao mesmo tempo, pagar as rendas a que se submeteram ao realizar estas obras de requalificação dos seus edifícios.

Os sistemas de AVAC (Ar Condicionado e Ventilação Mecânica), por exemplo, instalados nos edifícios consomem em excesso, pelo que o conforto térmico e a qualidade do ar irão, com certeza, resultar numa qualidade do ar em pior estado do que o que estavam antes das intervenções. Na grande maioria dos Edifícios intervencionados não foi, sequer, contemplada a possibilidade da integração de painéis fotovoltáicos para diminuir a factura energética, por exemplo.

As facturas dos consumos energéticos estão, neste momento, a rondar os 8.ooo euros por mês, nalguns casos e noutros os 10.000 euros por mês. A raíz deste problema reside na concepção dos projectos tanto de Arquitectura como de Especialidades. Não se fez um cálculo ajustado para manter os valores pelos quais foram concebidos, pelo que agora começam a surgir os problemas ao nível do pagamento referentes ao uso dessas mesmas instalações.

As Escolas Secundárias não têm, actualmente, recursos financeiros suficientes para manter esses sistemas a funcionar em pleno. Em consequência, as Escolas irão, certamente, cortar nestes sistemas optando pela sua não utilização, ajudando, portanto, a piorar a qualidade do ar através da sua falta de ventilação e renovação.

Ainda assim, algumas Escolas beneficiaram da instalação de painéis fotovoltáicos, esperando, assim, que estes possam ajudar significativamente na redução dos consumos e da factura mensal. Mas, até ao momento, apenas 3 Escolas estão abrangidas por esta facilidade. No entanto, a relação custo/benefício é, ainda, negativo. Não respeitando os regulamentos nacionais para a aplicação obrigatória em todos os edifícios novos, vamos agora assistir a uma manifestação de intenções e de incompetência que pode não passar do papel e, mesmo que se transforme em realidade, são projectos que devem ser idealizados de raíz com a construção destas infra-estruturas.

Em relação aos seus planos de trabalho, a Parque Escolar, que tem em carteira a remodelação de cerca de 100 escolas no panorama Nacional, afirma convictamente, que é necessária a dinamização de sector da Construção Civil em Portugal pelo qual eles são os grandes responsáveis.

Mas vejamos bem de onde surge este dinheiro a que chamam Investimento: a Parque Escolar foi financiada, inicialmente pelo QREN (Quadro de Referência Estratégica de Portugal - fundos comunitários)depois, mais tarde, pelo PIDDAC (Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central - orçamento de estado), e finalmente pelo BEI (Banco Europeu de Investimento - atribuição de crédito bancário). A todo este dinheiro, arranjou-se uma forma de ganhar, ainda mais dinheiro com esta transformação das Escolas Secundárias, atribuíndo um valor de 1,65euros por metro quadrado às Escolas que ocuparem estes espaços remodelados. Só em 2011, a Parque Escolar espera angariar com estas rendas cerca de 50 milhões de euros, não sabendo, ao certo, quantos anos duram cada contrato com as Escolas envolvidas neste negócio. Este valor servirá para despesas de manutenção do edifício, assegurado pela Parque Escolar e para amortização do empréstimo bancário realizado ao BEI.


A verdade é que estes 50 milhões que a Parque Escolar espera receber das Escolas Secundárias não vai ser suficiente para cobrar as dívidas a serem pagas no imediato devido ao Crédito Bancário e às obrigações a que se comprometeram.

Ainda no mesmo tema, falta questionar a legalidade da adjudicação directa que realizaram para estas infra-estruturas. Nunca chegou a realizar um único Concurso Público, e apenas se convidaram ateliers de arquitectura por ajuste directo, chegando mesmo a existir ateliers que tinham, a seu cargo, até 11 empreitadas, num país onde a Ordem dos Arquitectos apesar de existir e de, nos seus estatutos, obrigar à abertura de concursos públicos neste tipo de situações (em que os valores são elevados) não se quis meter. Factualmente, percebe-se que existiu um favorecimento na escolha destas empreitadas realizadas por ajuste directo, ignorando a lei de abertura de Concursos Públicos, inviabilizando, assim, qualquer indício de legalidade destes processos governamentais, levantando as suspeitas e dúvidas legítimas, do costume.

Esta empresa é um espelho do que aconteceu nestas últimas décadas em Portugal. Inoperantes e sem apego à realidade das leis que regem este país. Operam sobre protecção governamental e regem as suas próprias regras do jogo, em nome do avanço tecnológico, económico, social e educacional deste país. Em suma, aproveitam-se do dinheiro alheio para criar buracos financeiros dos quais nunca serão responsabilizados aos olhos da justiça portuguesa.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A Lei do Trabalho.

Dando seguimento a estes temas que venho desenvolvendo de questões laborais na Função Pública, aparece hoje uma notícia no Jornal Público acerca da ameaça às chefias realizada pelo Presidente da Câmara de Faro, Macário Correia.

Iniciou uma guerra à burocracia que, diz, existir nas chefias da Câmara, instaurando quatro processos disciplinares a quatro funcionários que, segundo o próprio, não estão a tomar as medidas adequadas para acelarar os processos burocráticos da instituição em causa.
Estas ameaças parecem ter funcionando como coacção para alguns funcionários acelararem e despacharem os processos que têm em mãos (mais de 3000 em atraso) mas alguns outros não.
O autarca do PSD admite que um documento pode levar "semanas ou meses a despachar, mas nunca ficar anos sem resposta". Os processos de inquérito foram abertos por manifesta falta de zelo e irresponsabilidade.

Historicamente, já não é a primeira vez que o autarca tenta este tipo de manobras para aumentar a produtividade da instituição que preside. Em Tavira, onde foi igualmente, Presidente da Câmara tinha tentado esta mesma abordagem, no entanto, sem sucesso chegando a declarar que "a lei é corporativa e defende a incompetência".
Agora na Câmara de Faro diz que já detectou cerca de 50 funcionários que "...não fazem mais nada do que receber o ordenado".

Perante esta situação apenas posso levantar-me e bater palmas pela coragem e pelo despertar que sinto, mais que nunca, ser necessário levar a cabo em Empresas e Instituições Públicas. Falta empenho e vontade para as chefias tomarem este tipo de atitudes com quem mais as merece.

E Macário Correia acaba dizendo: "tem de haver alguém a dar uma pancada forte para despertar, e quem se portou mal tem de comer. (...)Se não fizer nada, o regabofe continua".

Fica a pairar, no entanto, uma dúvida: será que estas medidas vão, inevitavelmente, resultar em despedimentos de funcionários da Função Pública, alegando Justa Causa? Ou será tudo uma medida exercida com o intuito de criar pressão sobre as ditas chefias? Há que perguntar a razão que leva a não meter um incompetente na rua, de facto.

O Trabalho em Portugal (parte 02)

Facto #02


Hoje alguém se levantou e pediu um CD em branco. Neste local de trabalho existem contados. E, por coincidência das coincidências, sou eu o responsável por guardá-los e distribuí-los a quem me pede para efeitos laborais.

Ora, ao pedirem-me um CD eu resolvi perguntar para o que era, ao qual me responderam que seria para enviar a um Engenheiro que está no Alentejo e não "gosta" de aceder ao servidor da empresa para ir buscar certos e determinados ficheiros. Um empregado da empresa, refira-se. E esta pessoa não achou melhor solução que gravar um CD (que tem um custo), enfiar num envelope "alcochoado" (que tem um custo) e enviar pelo correio interno da empresa (que, igualmente, tem um custo).

Ao que eu, inocentemente, perguntei se não poderiamos enviar os ficheiros por mail. A resposta foi negativa, "...que era muito pesado".

Eu arranjei, deste que entrei nesta empresa, forma de enviar os ficheiros através de um Site que me indicaram e que permite enviar ficheiros gratuitamente até 2G de peso. E estes ficheiros a enviar pesavam apenas 6Megas...

Enfim, o custo desta operação foi suportada pela empresa, num tempo de contenção de custos e num tempo em que ninguém parece importar-se muito com isso. Que país este...

Gosto e Apoio.

A Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Talento organizaram uma iniciativa em que convidaram os portugueses residentes no estrangeiro a divulgarem ideias para os desafios que Portugal atravessa agora e que virá a atravessar no futuro.
O concurso serve para desafiar a diáspora portuguesa a lançar ideias e formar equipa com portugueses residentes em Portugal para, em conjunto, lhes darem vida, transformando-as em projectos nas áreas da Inclusão Social, Envelhecimento, Ambiente e Sustentabilidade e Diálogo Intercultural.

Mais de 200 propostas foram analisadas e chegaram agora as 10 finalistas:

1. The Lisbon GreenLab Experience .
Surge da necessidade de espaços em Portugal que promovam a cultura do consumo sustentável, querendo fomentar o uso de bens e serviços -de impacto ambiental reduzido, socialmente justos e economicamente viáveis. Será um espaço de reutilização de objectos - através de nova concepção - design e venda. Nas nossas cidades, deparamo-nos com objectos volumosos deixados na rua pela população. Os Serviços Municipais recolhem e armazenam-nos, sem qualquer rentabilidade. O GreenLab quer estabelecer protocolos com Autarquias e ser parceiro na política de reutilização e reaproveitamento. Neste espaço de transformação e criatividade estarão profissionais especializados nas áreas técnica, gestão e design. O espaço será multidisciplinar com várias actividades que promovam a sua sustentabilidade: Transformação/Venda de Peças; Galeria; Espaço Lounge Café Mercearia Justo (Bio/FairTrade); Formações/Workshops (Educação Ambiental/Ecologia/Eco-Design); e ainda uma Horta Urbana.

2. Dê-me a Mão.
Criar uma rede de voluntariado, integrada com as redes já existentes nas grandes unidades hospitalares, que possa apoiar de forma personalizada, a vinda de idosos a consultas e tratamentos, acompanhando-os desde a chegada do transporte público até ao seu regresso.
A população mais idosa e carenciada de localidades interiores do país têm dificuldade de aceder a tratamentos e consultas nas grandes unidades hospitalares por falta de recursos financeiros que se agravam com a necessidade de um acompanhante que os oriente na cidade. Este apoio deveria ser integrado com as Ligas de Amigos já existentes na maioria dos hospitais, de forma a que o utente se sentisse acompanhado em todo o processo.

3. Reabilitação a Custo Zero.
A ideia consiste em criar uma organização sem fins lucrativos que ofereça a possibilidade a senhorios de prédios degradados de reabilitarem o seu imobiliário a custo zero. Para tal, os proprietários oferecem alojamento e alimentação a estudantes estrangeiros de arquitectura e engenharia que se voluntariam para conceber e concretizar a requalificação.
Os materiais e equipamentos necessários à realização das requalificações seriam doados como caridade à organização sem fins lucrativos de modo a serem deduzíveis dos impostos a pagar pelas empresas fornecedoras. Para além das contrapartidas financeiras, as empresas teriam também o seu nome associado a um projecto honroso e potencialmente de elevada exposição pública.
Por último, a supervisão técnica das obras resultaria de uma parceria com a Universidade. Os projectos de requalificação seriam casos de estudo em cursos de reabilitação de edifícios e assim sujeitos ao acompanhamento técnico por parte de professores e alunos especialistas.

4. Culinarium.
Tal como as crianças aprendem a ler, a escrever, a contar ou a fazer desporto na escola, o projeto CULINARIUM propõe que as crianças também devem aprender a cozinhar para terem uma dieta equilibrada e uma vida mais saudável.

O projeto CULINARIUM pretende por isso a criação de hortas e cozinhas biológicas em escolas portuguesas com a ajuda voluntária de avós reformados. Pois quem melhor do que os avós, que têm tempo, paciência, mas sobretudo hábitos alimentares mais saudáveis para iniciar as crianças às práticas agrícolas e à cozinha?

Fazer voltar os avós à escola é uma forma de fazer reviver a gastronomia tradicional e de lhes proporcionar uma ocupação útil, enquanto os seus netos descobrem os segredos e a importância duma gastronomia rica e equilibrada.

O projeto CULINARIUM procura assim reforçar os laços familiares, combatendo a obesidade e o envelhecimento da população portuguesa de uma forma sustentável.

5. Dou.pt
Com certeza já teve de deitar algo fora sentindo uma pontada de remorso por o objecto ainda reter alguma utilidade. Haveria decerto alguém a quem daria jeito, mas quem?

O dou.pt é a ideia para uma plataforma nacional de doação de objectos reutilizáveis onde qualquer cidadão, empresa ou organização pode afixar publicamente a intenção de se desfazer de artigos indesejados, permitindo solucionar uma maçada logística com um gesto de cidadania. Criando um canal entre quem se quer desfazer e quem quer receber, transforma-se o desperdício e acumulação de resíduos numa solução elegante de desenvolvimento e qualidade de vida.

Permite a transacção de objectos singulares ou múltiplos, pontual ou recorrentemente, tendo como principais impactos:
-Aproximar cidadãos, entidades e comunidades
-Promover a cidadania
-Despoletar a responsabilidade social individual e empresarial
-Melhoria de qualidade de vida
-Capacitação logística de IPSS
-Fomentar o desenvolvimento sustentável
-Proteger o ambiente

6. O Livro.
Livros de autores portugueses e estrangeiros seriam audíveis pela rádio em todo o País. As pessoas de terceira idade, que hoje em dia estão "embrutecidas" ao ver televisão praticamente diariamente, com este projecto teriam uma abismal melhoria de qualidade de vida.
Para este programa funcionar seria preciso uma rede de pessoas habilitadas a gravar a sua voz a ler um livro. Podemos ir buscar estudantes de línguas a todas as faculdades do Pais, gravar uma pequena biblioteca e pôr na radio em loop, organizado por um capitulo de um certo livro a uma hora especifica em cada dia da semana. Podemos levar esta biblioteca a todo o Pais com um sinal de radio. A Edição desta radio poderia ser feita por estudantes de áudio-visuais.
Estes livros seriam acessíveis a todos os portugueses sem distinções, melhoraria a cultura dum país que é conhecido mundialmente pelos seus escritores.

7.Super-M.
Vamos criar uma rede de apoio às famílias actuais, a quem as horas escasseiam e as actividades se multiplicam!
As Mulheres cada vez mais se dividem em múltiplas super-mulheres ao longo do seu dia, tentando ser profissionais dedicadas, mães extremosas, taxistas de filhos ocupados, cozinheiras gourmet, professoras de apoio, zeladoras da saúde da família, e conseguindo sorrir a todos os desafios a que estão constantemente sujeitas.
São também quem sofrem mais os efeitos da crise ao nível do emprego e por isso este projecto permitirá criar uma bolsa de emprego local feminino (full time/part time), disponibilizando, por sua vez, uma série de serviços a outras mulheres para que estas possam ter mais qualidade de vida e possam proporcionar a quem mais amam aquilo para que muitas vezes não têm tempo!
O objectivo é ter o apoio que faltava à criança, à família, ao Idoso e até aos animais de estimação.
A Super-M pretende ser um projecto para mulheres que sabem o que custa ser sempre Super!

8. Teco-Planner.
A existência de vários operadores em vários pontos do país faz com que planear uma viagem de porta-a-porta a nível nacional por transporte público seja uma tarefa quase impossível. Isto cria uma barreira à efectiva utilização de alternativas ao automóvel.
A proposta consiste no desenvolvimento de um calculador de itinerários nacional online semelhante aos utilizados para procura de voos. A ferramenta planeará através da morada e/ou código postal do ponto de partida e de chegada uma viagem porta-a-porta utilizando transportes públicos. Determinará ainda o tempo, a tarifa e o impacto ambiental (medido em emissões de CO2) das diferentes opções e a poupança em relação ao automóvel e eventualmente ao transporte aéreo de maneira a que o utilizador possa fazer uma escolha consciente. Será possibilitado ao utilizador pesquisar, entre outras, a viagem mais rápida, mais "verde" ou mais económica.

9. A Mercearia.
As mercearias constituem um referente da identidade nacional. O avanço das grandes superfícies provocou o seu declínio, que se agudizou com a incapacidade de se renovar em termos de imagem, produtos e interação com os clientes. As mercearias são sempre centrais (inclusive na periferia) e detêm um elevado poder de inclusão social: são também espaço de interações sociais.
A nossa proposta consiste numa estratégia de remodelação do funcionamento e imagem da mercearia portuguesa, com vista a preservar a sua herança cultural, reposicionar o seu valor no mercado e hábitos sociais e estimular o consumo de alimentos e produtos de origem local.
Estratégia: estabelecer cooperações entre mercearias para se tornarem mais competitivas,iniciar mecanismos de interação entre mercearias e outras tipologias vizinhas com sucesso junto do público, fomentar novas parcerias entre merceeiros e produtores locais, intervenção na imagem (arquitectónica, identidade corporativa)de três mercearias piloto.

10. Ensinar Primeiro.
A ideia que proponho visa resolver problemas relacionados com a educação em situações de precariedade e desfavorecimento social, através da transformação de estudantes licenciados com excepcional mérito, em professores e líderes inspiradores.

Este programa, ou projecto, visa atrair e escolher estudantes graduados, que normalmente não tencionariam seguir o ensino como escolha profissional e colocá-los em projectos pedagógicos em escolas com problemas sociais ou educacionais em Portugal. Ou seja, escolas onde grande parte dos alunos são provenientes de classes sociais desfavorecidas ou onde o nível dos resultados escolares obtidos são considerados baixos.
O programa teria como objectivo assegurar que os participantes maximizariam o sucesso escolar dos alunos, a curto prazo, e ao mesmo tempo assegurar que desenvolvam um conjunto de habilidades transferíveis que tenham impacto na resolução de problemas educacionais do país no futuro. Grande desafio para os jovens envolvidos.






segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Trabalho em Portugal.

Hoje há um novo segmento que resolvi partilhar com muita gente que ainda não acredita que a Função Pública é um micro-cosmos da Sociedade Civil e os seus trabalhadores exemplos perfeitos do Estado da Nação.




Facto #01


Atrás de mim está um colega de trabalho que, como em qualquer outro dia, baixa a cabeça ainda agarrado ao rato do computador e dorme durante meia hora. Existem pessoas ao lado dele, atrás, à frente e a passarem constantemente ao seu lado no corredor deste "open space". As pessoas que notam este momento riem-se mas ninguém o acorda (se calhar porque, secretamente, bem lá no fundo, gostavam de poder fazer o mesmo). Há mesmo um que diz para os outros, com um ar irritado: "...xxiu, tá na hora dele!"


Pasmado, resolvo abrir uma gaveta e acabar com isto. Todos os dias é assim. Todos os dias...

domingo, 1 de maio de 2011

Nunca Fiando.

Basílio Horta, cabeça de lista do PS por Leiria, vai suspender funções no seu actual local de trabalho, o AICEP (aqui).

Uma atitude a salientar no meio de tanta demagogia e de tanta falta de vergonha dos políticos nacionais.

No entanto, apenas o fará pelo prazo de 30 dias. O que quer dizer que vai ficar dependente dos resultados eleitorais de 05 de Junho.
Mais uma vez, é pena ser sincero só por 30 dias, é como ser só "meio" honesto.

Tão apropriado agora como antes.

A Tourada
(ou a metáfora de um Governo decrépito, da hipocrisia da sociedade e os lucros indecentes de alguns)

"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções."

José Carlos Ary dos Santos
1973