Mostrar mensagens com a etiqueta Governo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Governo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Acabou-se.

E assim começa uma nova era. Assim começa o Português a acreditar que é possível fazer mais e melhor. Assim se vê como a Democracia, quando funciona, é de facto um acto útil, importante e sincero.


Ontem não houve desculpas nem tempo para elas. Se o PSD perdesse nunca mais ouviriamos falar de Pedro Passos Coelho. Desapareceria do mapa político nacional para nunca mais voltar, como outros (Fernando Nogueira, por exemplo). Mas, quis o destino, que assim não fosse e revelou-se um candidato pecador em muitos aspectos mas que todos os portugueses esperam ver como um Primeiro-Ministro capaz, honesto, sincero e trabalhador. Capaz de servir de exemplo e de saber motivar os milhões que por aí andam perdidos e sem rumo.


O castigo a José Sócrates foi justo. Encadeado pelas mesmas luzes que o ajudaram a "iluminar-se" ao longo destes 6 anos, suava sem parar, levava a mão à testa como alguém que estava aflito e que não tinha como não o mostrar. Sozinho, como sempre se pautou e destemido como sempre se mostrou. Enfrentou as câmaras e não teve a agilidade de outros tempos frente à troupe de jornalistas que lhe disparavam perguntas incómodas, sem que ninguém o interrompesse, sem que ninguém lhe indicasse a porta de saída. Aquilo que muitos portugueses lhe indicaram durante tanto tempo. Foram cerca de 40 minutos de desculpas e de culpabilização. Muitos ouvintes e poucos apoiantes. Todos prontos, como abutres, à espera da sua oportunidade. Ainda antes da entrada em cena de Sócrates, já Manuel Alegre dizia que se esperava este resultado. Já Isabel Alçada falava, enquanto outros calavam, e lançava dados para quem tivesse dúvida da incompetência no cargo desta senhora (eu fiz isto, eu fiz aquilo e...nada).


Pelas perguntas feitas a Sócrates deparamo-nos com o primeiro sinal de mudança. Acabou a "censura" à imprensa e ontem tudo foi permitido. Até perguntar pelos casos jurídicos pendentes que o aguardam para lá da porta de São Bento. Ao mesmo tempo todos podemos concluir que a saída da vida política de José Sócrates, saturado e com uma imagem demasiadamente desgastada, irá resultar numa colheita do sector privado daquilo que andou a semear durante anos no público. Irónico, inevitável e triste.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pura Demagogia.

É engraçado verificar a pura demagogia praticada pelos partidos em Portugal e após a entrega do Programa Eleitoral do Partido Socialista uma ideia que fica no ar é a da continuidade e da repetição.

Em 2003 advogavam acabar com cerca de 990 cargos na Função Pública, tal qual relatava o Diário Económico aqui. Tratava-se de uma redução de 15% da massa salarial e da reestruturação de organismos públicos e serviços da função pública. Uma medida anunciada em 2003 e para ser levada a cabo até 2011.

Ora, estando nós em 2011, o PS apresenta uma vez mais esta brilhante notícia na página 51 do seu Programa Eleitoral: "...o próximo Governo do PS eliminará, já em 2011, cerca de um milhar de cargos dirigentes e equiparados".

São compromissos atrás de compromissos que nos fazem duvidar da verdade que representam e deparamo-nos com uma ilusão política e uma demagogia pura e dura. Assim, não vale a pena elaborar Programas Eleitorais decalcados dos anteriores. Pena.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um mundo à parte

Este senhor continua a revelar ser de um outro mundo, um mundo à parte em que a realidade não é, de todo, assumida.

José Sócrates esteve na inauguração de uma Escola Secundária em Santo Tirso, ontem, e no seu discurso revelou que acredita piamente que estes três últimos anos serão lembrados como "a maior crise dos últimos 100 anos". Só se esqueceu foi de referir se estava a falar do panorama nacional ou internacional, porque existem grandes crises que abalaram o mundo, sendo que os últimos três anos são relevantes não são, de todo, a maior crise que o mundo alguma vez conheceu, nem a nível Internacional nem a nível Nacional.

Ainda segundo José Sócrates "...só uma boa educação dá uma boa sociedade. O futuro da economia depende do investimento na educação." Ora eu pergunto o que fazer com tanta educação se, depois, não existe saídas de mercado para tanta gente licenciada? É triste ver que ainda se alimentam estes sonhos de que toda a gente deve ter um "canudo" debaixo do braço, sem entender que a resposta está na oferta diversificada que se pode oferecer a esses mesmos licenciados, para não deixar o investimento sem retorno. É fácil colocar milhões em escolas, na maior parte, que não têm valor ou que são pouco consideradas. O difícil está em tentar colocar essas pessoas, anos mais tarde, no mercado de trabalho.

E no fim de contas, deixou esta "pérola": “...O índice de abandono escolar diminuiu de 39 por cento em 2004 para 28,7 por cento em 2010. Portugal foi dos que mais evoluiu em diplomados em ciências, tecnologia e matemática, com 15 em cada mil activos..."

E pergunto eu, onde estão esses diplomados? No estrangeiro,onde há valorização dessas áreas de investigação e onde há dinheiro para investimentos nessas áreas. É triste mas é verdade. Este senhor não vê o erro mesmo à sua frente. Gastam-se milhões em renovações desnecessárias, na maior parte dos casos, de escolas secundárias e primárias, para depois acabarem todos no fim da linha dos centros de desemprego.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Governo que nos espera.

Qualquer que seja a cor do partido que vencer as próximas Eleições, iremos ter, inevitavelmente, um Governo recheado de coligações e acordos eleitorais. Não porque os portugueses assim o ditaram, mas porque os políticos assim o decidiram.

Vai ser uma coligação forçada por aqueles que não a querem fazer e por outros que queriam o poder por absoluto e não os deixaram.

Iremos ter um Passos Coelho ou um Sócrates (de novo...) mas daí não deveremos desviar-nos muito mais. Um único partido pode aspirar a algo mais: o CDS. Com isto não quero dizer que seja positivo haver um único partido capaz de albergar votos suficientes para entrar nalgum tipo de diálogo e de coligações que, raras excepções, não resultam ou resultam mal.

O grande dilema dos eleitores vai ser decidir se existe alguém capaz de "revolucionar" sem manifestações ou greves. Alguém capaz de gerar "rupturas" sem implodir um país até à sua bancarrota. E, verdade seja dita, se não há dinheiro para fazer cantar o cego, porque é que haveria de haver para criar revoluções e rupturas históricas num país em que as tradições estão enraízadas na sociedade. Penso que a alternativa passa sempre por realizar essas rupturas moderadamente, sem oscilações de maior, para não provocar um tsunami político-social que pode surgir de qualquer sector social, empresarial, político ou económico deste país.

Mas pergunto eu se o facto de não haver dinheiro para nada não é sintoma de que estamos já a viver uma qualquer fase revolucionária? Porque tendo em conta as últimas décadas, tenho a sensação de que vivemos, até agora, em total abundância de meios e a passividade dominou Portugal de uma ponta à outra das classes sociais deste país.